Antes de começar a falar sobre teorias e sobre as duplas personalidades da internet, vamos falar sobre Serial Experiments Lain. Um seriado completamente complexo e que foi usado como inspiração pelos famosos diretores, os irmãos Wachowisk, para a criação da trilogia Matrix - pra mim não existe trilogia, só vale o primeiro filme, os outros dois são uma merda, desculpe a sinceridade.
Matéria ta gigante, mas é pra abrir a mente de vocês para mais perguntas!
Serial Experiments Lain é uma série em anime de produção japonesa de 1998 com 13 episódios. Seu objetivo era apresentar algo inovador para a época. Um dos animes com maior repercussão nos Estado Unidos, comparado ao maior sucesso do segmento, Akira.
Na trama, Lain, uma jovem adolescente solitária, desenvolve um fascínio pela informática e pelo Wired (uma versão melhorada da Internet), após a morte de uma das suas colegas de escola. Na estória, a garota morta teria enviado um e-mail a todos os colegas de classe explicando que o seu corpo deixou de viver e que ela vive agora no wired. Depois desse acontecimento, Lain Iwakura toma um rumo impressionante aflorando sua dupla personalidade. Lain retrata a situação de dupla personalidade entre o mundo real e o mundo da "Wired". O anime em si é bastante complexo.
Lain foi um dos primeiros animes a tratar a internet como uma forma de mundo alternativo de uma forma bem conturbada e filosófica já apresentado nos romances cyber punks. Baseado nos livros de William Gibson (Neuromancer) e Jean Baudrillard (Simulacros e Simulação), Serial Experiments Lain tem uma boa salada de tudo isso e mais um pouco. Os diretores de Matrix sugaram da mesma fonte que o criador de Lain, Yoshitoshi Abe.
Não vou falar muito sobre a série, pois, além de ficar chato, você não entenderá a emoção filosófica que a animação quer passar para o telespectador. Por isso ASSISTA!
Para você que ainda não assistiu Serial Experiments Lain, aconselho que o faça, mas já te aviso: infelizmente essa é uma série que exige um pouco de conhecimento em áreas de informática, principalmente com linguagem de programação antiga pra você entender um pouco mais da mensagem que a série quer expressar. Não precisa ser expert no assunto, só precisa ser um pouco informado. Eu mesmo sou um tapado completo quando se trata de redes, protocolos, hospedagens e DNS, mas me viro como posso.
No ano de 2010, eu assisti mais uma vez esse seriado que me intrigou tanto há nove anos atrás e graças a Deus consegui entender muita coisa, chegando a um consenso que, se não for o original, pelo menos é o MEU consenso.
Tudo que falarei aqui é de acordo com a MINHA opinião, ou seja, se ela está certa ou não, podemos discutir nos comentários ou no Twitter, então não adianta me criticar, ou então jogar pedras em mim dizendo que estou mentindo, pois, o que eu disser é inteiramente sobre minha opinião e não sobre o que a série realmente representa.
Na época que a série Lain foi exibida, a internet era uma coisa monstruosa e de difícil entendimento, tudo era mais complicado. Ninguém imaginou que esse tipo de entretenimento seria expandido de tal forma a se transformar em um novo mundo. Ta certo que tudo isso já era cogitado, mas nunca poderíamos imaginar que a internet realmente iria tomar as proporções que tomaram e que ainda estão tomando. Estamos falando de 1998, o ano que a série foi exibida e que aqui no Brasil, meia dúzia de pessoas gozava de acesso internet, portanto tudo sobre o mundo virtual para nós, brasileiros, era muito, mas muito novo mesmo.
A Wired, citada na série, funciona como uma internet melhorada, onde todos podem se interagir com mais liberdade e compartilhar informação de tal forma que nada poderia escapar da rede. Opa! Acho que já vi isso! Matrix talvez?
Nessa época, a internet era apenas uma ferramenta de informação onde uma pessoa especializada colocava informação na rede para compartilhar com outras pessoas. Mas isso não significava que essas pessoas poderiam comentar os textos e jogar informação na rede como bem quisessem, era um pouco restringido. O seriado apresentou essa interatividade, o livre acesso a informação e o livre acesso a introdução de informação na net. Antigamente, somente alguém que soubesse criar um site e que entendesse de hospedagem, poderia criar páginas para poder exibir suas idéias. Hoje, com os blogs, fotologs, wikis, microblogs e redes de relacionamentos, qualquer pessoa pode construir a internet com suas próprias informações. E isso acabou gerando uma interligação absurda entre as pessoas e cruzando informações e documentos de uma forma monstruosa. A distância gigantesca entre as nações diminuiu absurdamente e a impressão que temos é que qualquer país está em nosso alcance, basta você ter internet. (Os produtores de Lost construiram os cenários africanos da estória do Mr. Eco somente com pesquisas feitas pela internet.)
Antes de falarmos sobre o mundo virtual e dupla personalidade, quero mostrar pra vocês um vídeo interessante que fala sobre a criação da internet, como surgiu essa rede que está sendo aperfeiçoada a cada dia. Lembrando que é um vídeo de 2009 e que de 2009 pra 2011 muitas coisas mudaram. (Ta vendo, AC Caravana também é cultura!)
Esse é um vídeo que eu achei muito interessante explicando o processo de criação da internet. Reparem que tudo começou em 1957 e que antes disso tudo era apenas cheio de teorias e estudos. No seriado Lain, eles conseguiram encaixar uma dúvida que deixou meu cérebro fritar.
Segundo a série, após julho de 1947, que foi o ano em que o suposto Óvni teria caído em Roswell (Novo México, EUA), tudo referente a informática começou a progredir. Até então, nossas idéias eram apenas feitas de engrenagens e força de trabalho.
Assistam esses vídeos sobre o caso Roswell, caso se interessem pelo fato:
Assistam esses vídeos sobre o caso Roswell, caso se interessem pelo fato:
E já de cara, aproveitando o gancho, a série também nos joga - no episódio 9 pra ser mais exato – ao famoso escândalo Majestic 12 que seria o código de um suposto comitê que englobaria cientistas de alto nível, líderes militares e altos funcionários do governo norte-americano que supostamente teria sido criado e liderado pelo então presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman, tendo como finalidade investigar a atividade dos objetos voadores não identificados (OVNIS) depois dos acontecimentos ocorridos em Roswell, onde supostamente uma nave espacial alienígena teria caído próximo a localidade de Roswell, no Novo México, em Julho de 1947.
Caso você esteja interessado pelo Majestic 12, veja esse filme:
Caso você esteja interessado pelo Majestic 12, veja esse filme:
Bom, com isso, Lain começa a dar sinais de entendimento, querendo nos persuadir a acreditar em que tudo aquilo que sabemos e conhecemos sobre tecnologia de internet não teria vindo do nosso mundo, seria uma coisa muito além de nossa compreensão que se expandiu com a guerra fria.
Antes disso, você começa a entender várias coisas sobre o enredo. Uma delas é que Lain começa a se interessar por computadores e em pouco tempo ela vira um gênio da informática, uma forma muito respeitada dentro da Wired. No entanto, Lain descobre que mesmo antes dela ter se conectado a Wired, já existia alguém que se passava por ela na rede, ou seja, Lain é famosa mesmo antes de ter contato com a Wired. É ai que começa a bagunça de dupla personalidade.
A suposta Lain que teria surgido com a Wired, seria uma pessoa completamente séria, decidida e muito influente na rede, no entanto, é completamente abusiva e sem escrúpulos. A Lain que conhecemos durante a série é uma pessoa dócil, meiga, solitária e inocente no mundo físico e muito séria e decidida na Wired. E é ai que a série começa a levantar os conceitos filosóficos trazendo 3 personalidades da Lain e que podemos analisar aqui no mundo real.
No mundo físico, trabalhamos e vivemos nossas vidas de acordo com os protocolos sociais. Nos prendemos a sociedade e somos obrigados a se esconder por trás de máscaras que nos transformam em pessoas politicamente corretas. Não podemos fazer o que quisermos, apenas fazemos o que nos é permitido fazer. E aqueles que fazem o que querem são excluídos, transformados em parias e exilados da sociedade em si. E é por isso que, perante a sociedade, somos equilibrados e tentamos seguir um caminho que todos dizem ser o “caminho do bem” o lado certo da vida.
Porém, na internet, tudo isso muda. Você tem livre acesso a idéias, pode falar o que quiser e ser o que quiser. Pode ver o que quiser e até mostrar o que bem entende. Pode ser devasso se assim desejar, pode se sujar, falar besteira e fazer coisas que você nunca poderia fazer no mundo real. Ou vai dizer que por curiosidade, você, menininho educado e mocinha inocente não deram uma olhada em algum conteúdo proibido na internet? Vai dizer que num momento em que você estava sozinho não teve curiosidade de entrar em algum site politicamente incorreto? Se você deu um sorrizinho acabou de se condenar. Desculpem, mas isso é natural, não precisam se envergonhar!
Com o decorrer da série, a Lain entende que no seu interior ela possui três personalidades:
A primeira é a menininha do mundo real. Uma menina solitária que age de acordo com sua educação seguindo todos os protocolos sociais. Estuda, se alimenta, pratica esportes e de vez em quando sai com as poucas amigas que possui. Essa é uma versão do ser humano moldado pela sociedade. Uma forma simples carnal de personalidade. Essa é o ser humano “montado” que nascem nos moldes da sociedade politicamente correta. Essa personalidade é você! Menino e Menina dedicada, estudiosa e que faz tudo o que é correto aos olhos dos pais, professores, chefes e superiores.
A primeira é a menininha do mundo real. Uma menina solitária que age de acordo com sua educação seguindo todos os protocolos sociais. Estuda, se alimenta, pratica esportes e de vez em quando sai com as poucas amigas que possui. Essa é uma versão do ser humano moldado pela sociedade. Uma forma simples carnal de personalidade. Essa é o ser humano “montado” que nascem nos moldes da sociedade politicamente correta. Essa personalidade é você! Menino e Menina dedicada, estudiosa e que faz tudo o que é correto aos olhos dos pais, professores, chefes e superiores.
A segunda personalidade é de uma garota devassa. A garota que todas querem ser na internet. Uma menina esperta e influente que sai zoneando tudo e a todos. Todos os homens querem ter ela por um momento. Ela é sarrista, maldosa e quer expor todas as intimidades das pessoas para que elas passem vergonha, apenas por diversão. É essa personalidade que já existia dentro da Wired. A personalidade que sai ferrando com tudo. A Sociopata virtual. É o tipo de garota que tem todos aos seus pés e sabe disso. Sabe o poder de influencia que tem. Sabe que pode conseguir o que quiser se em troca oferecer prazer e facilidades. O lema é viver com diversão. Provavelmente você conhece alguém que tem esses moldes, ou tem uma absurda tendência a ser dessa forma.
A terceira personalidade é o lado culto e bem estruturado. Essa é a personalidade consciente que se forma com pessoas amadurecidas. Dentro da net ela sabe que pode fazer o que quiser e que tem muita influência. Porém, ao invés de zonear tudo, essa personalidade se torna algo maduro e utiliza de suas facilidades de forma consciente. Digamos que ela é livre na internet, mas, por algum motivo, ela mesma cria protocolos sociais para poder se tornar existência na internet. Não perde influência por ser politicamente correta no mundo virtual e da mesma forma que a garota devassa, essa personalidade séria também consegue o que quer, mas de um jeito mais inteligente e consciente. Essa são aquelas pessoas que caem na real. Digamos que é o Neo do Matrix quando entende que a Matrix é um mundo de mentirinha e ao sintonizar-se com o verdadeiro mundo ele simplesmente torna-se o escolhido e usa a Matrix ao seu favor.
A série além de apresentar conceitos filosóficos de mundo virtual, traz uma trama onde uma empresa chamada “Laboratórios Tachibana” descobre que antigamente todos nós éramos ligados pelo subconsciente e que algo aconteceu para todos sermos desligados. Por isso o ser humano age de forma arrogante e egoísta.
O que acontece é que Eiri, um cientista desse laboratório, descobre que utilizando as ondas Schumman, uma onda magnética que poderia conectar o subconsciente das pessoas, pode ser usado para “prender” a alma das pessoas na rede, já que a rede e as ondas magnéticas oscilam da mesma forma. Claro que tudo isso é apenas teorias e que não poderia trazer nada concreto ao mundo real. Agora, assista a esse vídeo e diga-me se não é pra pensar?
Sem contar que, um tal de Jhon C. Lilly, fez umas pesquisas de privação sensorial com pessoas que foram conduzidas em um tanque de isolamento com uso de drogras psico-ativas tais como a Cetamina e o LSD. Veja no vídeo o que aconteceu com essa pesquisa. Esse é um vídeo retirado do episódio 9 de Serial Experiments Lain.
É por isso que desde o começo “Serial Experiments Lain” tem a seguinte filosofia: O corpo só é uma confirmação de nossa existência. Porém não precisamos do corpo para existir. E é isso que a série visa, explicar – ou tentar explicar – que esse mundo criado, a Wired, pode se tornar real se deixarmos o nosso corpo no mundo físico.
Já pararam pra pensar que simulamos de tudo. Os bancos já são virtuais, as lojas são virtuais, seu dinheiro é virtual, os livros e até os professores. Estamos criando um mundo virtual que está evoluindo. Logo, seremos completamente dependentes do mundo virtual e o mundo físico acabará fazendo menos sentido. E é aí que ta a maluquice de tudo. O mundo virtual, sem sentindo e completamente abstrato, a cada dia acaba se tornando tão existencial que acabamos deixando de lado o mundo físico. Quantas pessoas se isolam do mundo real e acabam indo pro mundo virtual pois lá tudo acaba sendo mais divertido?
Conte nos dedos quantos amigos e colegas você tem no mundo real e agora conte quantos amigos você tem no mundo virtual. Quantos de vocês acabam tendo mais amigos no mundo virtual do que no mundo real?Quantos de vocês já entraram na internet pra escapar das brigas dos pais, das bagunças do cotidiano e fugiram para não ter que aturar esses problemas do mundo real?
Existem pessoas que são tímidas e não conseguem falar com você cara a cara, mas no MSN são pessoas tão legais e divertidas que acabam deixando tudo mais interessante.
Quantos de vocês não conheceram uma pessoa pela internet e se apaixonaram por ela, porém, ao conhece-las de verdade acabaram percebendo que essa pessoa é uma maluca, débil mental da qual você tem muito medo e que jamais se apaixonaria por aquele tipo de pessoa?
É meus amigos, o mundo virtual é uma coisa maluca e devemos pensar seriamente sobre o assunto. Afinal, logo, logo seremos dependentes desse mundo e o mundo real fará cada vez menos sentido.
Na verdade eu já nem sei o que faz mais sentido. Viver a vida por si só já uma coisa inexplicavelmente abstrata. Viver uma segunda vida virtual então...







2 comentários:
Eu simplesmente adorei a serie qdo vi. Isso foi a uns 6 ou 7 anos. Claro que de cara ela me deu um nó na cabeça. BTW, ótimo texto.
Muito bom o texto!
Bom para também refletirmos sobre a condição futura da humanidade. O que podemos vislumbrar neste campo (mundo digital e mundo real) é que serão eternos paradoxos (nada mais), um existe para compensar as imperfeições do outro. As limitações da obrigatoriedade de sua coexistência é a formação de "tribos" resultando distanciamento entre si e de seis membros com mundo real (guetos cibernéticos) se distanciando dia após dia da sociedade em seus papeis originais; talvez um prenúncio da conquista do "egoismo sagrado" preposto de Stirner e Nietzsche. O que nos faz pensar que fisicamente não temos condições de sermos anarquistas, mas em projeção carregada de veleidade compensada no campo que contempla o físico e o imaginário ao mesmo tempo (o cibernético).
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